Medicamento para regeneração dentária avança em testes clínicos: quando chegará às farmácias?
A possibilidade de perder um dente e ter um novo em seu lugar está cada vez mais próxima de sair do campo da ficção científica. Três anos após os primeiros relatos sobre pesquisas japonesas nessa área, o fármaco experimental completou a primeira etapa de testes em humanos e segue para a próxima fase dos ensaios clínicos. Resta saber, contudo, quando o produto estará efetivamente disponível no mercado.

Medicamento para regeneração dentária completa a primeira fase de testes humanos
Em julho de 2023, fizemos uma cobertura sobre uma terapia capaz de estimular o crescimento de novos dentes. Os resultados obtidos em estudos com animais eram promissores, e os pesquisadores indicavam 2030 como possível horizonte para disponibilização do tratamento ao público.
Com o tempo, o projeto avançou significativamente. O medicamento, identificado como TRG035, está sendo desenvolvido pela empresa japonesa Toregem BioPharma e já superou a primeira etapa de avaliação clínica em seres humanos. Ainda há etapas pendentes até que o produto esteja disponível em consultórios odontológicos.
Primeira fase de testes clínicos já foi concluída
A Toregem comunicou, em nota divulgada em novembro de 2025, a conclusão da Fase I dos ensaios clínicos realizados no Japão. De acordo com a empresa, os dados confirmaram a segurança da substância nas condições analisadas.
Trata-se de uma conquista importante, mas isso não indica que o tratamento esteja pronto para uso ampliado. Uma avaliação inicial de segurança não garante, por si só, que seja possível estimular o surgimento de novos dentes em pessoas com resultados previsíveis.
A companhia também revelou ter mantido contatos preliminares junto à FDA, órgão regulador americano de medicamentos, para orientar futuros ensaios nos Estados Unidos. Essa interação faz parte do planejamento do desenvolvimento clínico, sem implicar autorização imediata para comercialização.

Nova fase do estudo prevê inclusão de 24 crianças
Uma das informações mais recentes chegou em 17 de agosto de 2026. A Toregem divulgou que a PMDA, agência reguladora japonesa, finalizou a análise obrigatória da notificação do ensaio clínico de Fase IIa.
Conforme o comunicado apresentando essa nova etapa, o estudo prevê incluir 24 crianças portadoras de agenesia dentária congênita grave — condição caracterizada pela ausência de múltiplos dentes desde o nascimento — e avaliar diferentes dosagens do tratamento.
O ensaio será conduzido em vários centros médicos, sem grupo de controle. Tanto pesquisadores quanto participantes conhecerão qual tratamento está sendo aplicado.
No momento do anúncio, a empresa explicou que o recrutamento e a administração do medicamento estavam programados para ocorrer após a avaliação pelo comitê de ética da instituição responsável. Essa atualização confirma progresso regulatório, mas não indica que as crianças já tenham recebido o TRG035.
Como funciona o mecanismo de regeneração dentária?
A base científica está em uma proteína denominada USAG-1, que restringe o desenvolvimento dos dentes. O TRG035 consiste em um anticorpo projetado para neutralizar essa proteína, removendo assim um dos principais obstáculos ao crescimento dentário.
Segundo o mecanismo descrito pela Toregem, o objetivo é ativar estruturas precursoras de dentes que permanecem inativas, permitindo o desenvolvimento de novos dentes.
A estratégia demonstrou resultados positivos em animais. Comprovar que produz o efeito desejado em humanos permanece como uma das questões centrais da pesquisa.

Estágio atual da produção do fármaco
Doses para fins experimentais já foram confeccionadas, porém não há produção em escala comercial destinada ao varejo farmacêutico ou odontológico.
Na documentação divulgada em maio de 2026, a Toregem informa que parte dos valores obtidos foi direcionada à elaboração de formulações para testes clínicos, em conformidade com as Boas Práticas de Fabricação (BPF/GMP).
Portanto, o produto já existe e foi preparado exclusivamente para aplicação em protocolos de pesquisa. Mantém-se, entretanto, sua classificação como terapia experimental.
A rodada de investimento captou cerca de US$ 5,3 milhões, recursos aplicados no suporte à Fase II realizada no Japão e na preparação para expansões clínicas internacionais.
Substitui implantes e próteses convencionais?
Tal é uma das principais expectativas, contudo a prioridade inicial é mais restrita: atender pacientes com agenesia dentária congênita — casos em que determinados dentes jamais se formaram.
Essa condição difere da perda dental causada por cárie, doenças gengivais ou trauma físico.
A Toregem contempla a aplicação em perda dentária adquirida em seu objetivo futuro de desenvolvimento. Entretanto, não há evidências suficientes que respaldem o TRG035 como opção validada aos implantes para esses casos.

Previsão de 2030 permanece válida?
O ano de 2030 acompanha o projeto desde os primeiros anúncios. O Hospital Kitano também apresenta esse horizonte na descrição da investigação, vinculando-a à necessidade de comprovação de eficácia e segurança do tratamento.
No entanto, 2030 representa uma meta, não uma data certa de lançamento. Tampouco é possível antever quando haverá acesso ao medicamento no Brasil ou em outros países.
Três anos depois, a promessa adquiriu identidade e avançou para testes em seres humanos. O próximo grande desafio será demonstrar que o tratamento consegue induzir o crescimento de novos dentes nos pacientes-alvo, com segurança e efeitos duradouros.
